Tipos de Coleção

 

Durante quase um século e meio de existência, o selo tornou-se conhecido no mundo como um objeto de dupla finalidade: um meio de cobrar o serviço do correio e uma peça de coleção. Depois de acompanhar o seu nascimento e primeiros anos de vida na Inglaterra e nos países que o adotaram pioneiramente (como a Suíça e o Brasil), vamos deixar por um momento sua história e focalizar sua "segunda vida" - como peça de coleção.

Para compreender a existência do selo como peça de coleção, pode-se tomar como ponto de partida a antiga expressão latina "ars una, species mille" - a arte é uma, mas tem mil faces. Ela reflete muito bem o espírito da Filatelia, que abrange os mais variados tipos de coleção. A escolha dependerá exclusivamente da vontade livre do colecionador.

Quem nunca fez coleção de selos não precisa definir imediatamente o tipo de coleção que quer. Convém começar apenas juntando um grande número de exemplares: é um bom meio de aprender a conhecer, manusear e classificar os selos. Aos poucos, a preferência da pessoa acabará se orientando para algum tipo de coleção.

 

Quando se sabe quais são os principais tipos de coleção de selos, a opção fica mais fácil. Em primeiro lugar, existe a "coleção geral", que abrangeria todos os selos já emitidos em todo o mundo. No começo da história da filatelia e mesmo até há algumas décadas, essa coleção seria viável, mas hoje em dia ela é praticamente impossível, não só pelo tamanho e custo como também porque exigiria um trabalho imenso e contínuo para manter-se atualizada.

Contudo, é a coleção de caráter geral a que mais estimula a imaginação do filatelista, transportando-o para os lugares mais estranhos do mundo e fornecendo-lhes as mais variadas imagens.

E é possível viabilizar uma coleção do tipo geral: para isso é preciso limitá-la a selos de uma certa época - por exemplo, os selos de um decênio do século XIX ou os selos emitidos entre as duas guerras mundiais. As opções cronológicas são infinitas. E resta ainda a possibilidade de, terminada a coleção referente a um período, passar-se imediatamente para outro.

Pode-se ainda colecionar apenas os selos de um país ou de um grupo de países. Nesse caso, há quem prefira "jogar em casa", colecionando os selos do próprio país; isso oferece muitas vantagens: é mais fácil conseguir os exemplares, não é preciso conhecer línguas estrangeiras para entender as mensagens dos selos e não é difícil conseguir orientações precisas para a coleção.

Muita gente, contudo, prefere colecionar selos de outros países, por vários motivos: por simpatia em relação ao país escolhido, por familiaridade com a língua, pela confiança na administração postal ou ainda porque a coleção é um investimento seguro(quando se trata de uma nação economicamente forte). A escolha também pode recair sobre um país que ficou independente há pouco tempo e ainda tem um número pequeno de emissões de selos, de modo que não seja difícil conseguir todos eles.

Até aqui só foram mencionados os tipos de coleção baseados em critérios geográficos ou cronológicos. Mas existem numerosas possibilidades de se formar coleções inspiradas nos desenhos dos selos ou na sua temática. Incluem-se, nesse caso, os selos comemorativos.

Dentre os fatores que podem influenciar a escolha de um tipo de coleção está o modismo. Não há por que não seguir a moda se ela corresponder aos gostos do colecionador.

Cabe ao colecionador decidir se vai fazer uma coleção caracterizada pela variedade de selos ou se vai seguir um dos muitos caminhos da especialização.

Em vista das dificuldades que se colocam a um tipo de coleção especializada é bom que o principiante seja cauteloso e se decida por uma coleção simples, que lhe dê garantia de continuidade. Aventurar-se por um caminho complicado seria o mesmo que começar um curso partindo da especialização e não da formação básica.

De qualquer modo, o importante é que cada um escolha o tipo de coleção que lhe dê mais satisfação. A partir disso, será possível obter da filatelia aquilo que ela costuma proporcionar a todos os que se aventuram nela: uma distração agradável, um enriquecimento da cultura e até mesmo uma forma de investimento financeiro.

Além de tudo, a filatelia sempre será algo muito pessoal, um meio pelo qual alguns dos aspectos da personalidade do colecionador se manifestem criativamente.

texto tirado do Manual do Filatelista - Coleção Selos de todo o Mundo - Nova Cultural